Um filme em 3 minutos

Sofrendo para baixar músicas e filmes? Pois começa a surgir no Brasil a banda superlarga de internet, tecnologia que custa menos de 500 reais mensais e pode transformar o computador em TV
“O computador”, disse certa vez o fundador da Microsoft, Bill Gates, “foi criado para resolver problemas que não existiam antes dele.†A frase de Gates resume as preocupações que surgem quando novas tecnologias entram em nossa vida. Com a internet, funcionou de forma semelhante. Até menos de cinco anos atrás, a maioria dos usuários estava satisfeita com a leitura de e-mails e de páginas mais simples. Foi quando a banda larga se tornou mais acessÃvel e a possibilidade de baixar músicas e filmes passou a ser real. Começou, então, a dor de cabeça. Quem se aventura a baixar filmes enfrenta horas, muitas horas de suplÃcio. Pois começa a se disseminar uma tecnologia que resolve o problema — é a internet distribuÃda por cabos de fibra óptica, também conhecida como banda “larguÃssimaâ€, 30 vezes mais rápida que a banda larga tradicional. Com essa velocidade, é possÃvel baixar um filme em menos de 3 minutos. Para quem usa a web para games em rede, o desempenho dos jogos melhora no mÃnimo dez vezes.
A banda larga em fibra óptica começou a ser oferecida pelas operadoras de telefonia fixa em 2008. Por enquanto, só está disponÃvel para alguns felizardos. Em São Paulo, a operadora espanhola Telefônica vende o serviço a 40 000 assinantes nos bairros dos Jardins e de Pinheiros, nas zonas sul e oeste da cidade. Os preços variam de acordo com a velocidade (de 8 a 30 megabits por segundo). O mais barato sai por 400 reais mensais. O mais caro, 500 reais. Em outras cidades, o número de clientes é ainda menor. Em Curitiba e BrasÃlia, apenas três condomÃnios, com cerca de 200 moradores no total, têm acesso à nova tecnologia. A Brasil Telecom optou por cobrar o mesmo preço da banda larga comum pela novidade. A boa notÃcia é que as operadoras pretendem ampliar a cobertura, e rapidamente. O objetivo da Telefônica é levar a internet de alta velocidade a outros bairros de classe média de São Paulo e de cidades como Campinas e Ribeirão Preto em menos de um ano. “O usuário médio não precisa de tanta velocidadeâ€, afirma Antonio Carlos Valente, presidente da Telefônica. “Mas a experiência mostra que é a velocidade oferecida que muda a forma com que o consumidor usa a internet.â€
O número de usuários que assinam a internet em fibra óptica começa a crescer nos paÃses desenvolvidos. Somente em 2007, quase 6 milhões de residências passaram a contar com a conexão ultra-rápida. Para variar, é na Ãsia que o uso está mais disseminado. De acordo com o FTTH Council, principal instituto de pesquisa sobre o assunto, 31,4% das residências sul-coreanas estão equipadas com a tecnologia. Os Estados Unidos dobraram a participação em relação ao ano passado, porém apenas 2,3% das casas estão conectadas. O motivo para a baixa disseminação é o preço. Isso porque a implantação da tecnologia de fibra é três vezes mais cara que a de cobre.
À medida que os investimentos aumentem, porém, a banda larguÃssima transformará o computador numa televisão (algo que já existe, por exemplo, na França e em Hong Kong), conhecida como IPTV. “O consumidor pode assistir à programação de um canal e, ao mesmo tempo, gravar a de outras duas emissorasâ€, afirma Tim Philips, diretor da empresa de serviços de tecnologia Comverse. Estima-se que o número de assinantes da nova TV atingirá 36,8 milhões no ano de 2009. Essa projeção de crescimento se deve principalmente à possibilidade oferecida ao consumidor de trocar seu pacote de televisão a cabo ou por satélite pela IPTV. Uma maravilha, enfim — até que, como acontece com toda tecnologia que surge como a solucionadora de todos os males, ela crie problemas que só a próxima irá resolver.
Fonte: Exame. Por Bruno Toranzi